Após Antros de Raposas e Fogo na Fornalha, André L. Nakamura lança Carcaças de Feras, obra que encerra a trilogia Espíritos Vadios e apresenta o final da saga sobre uma caótica disputa de poder entre o crime organizado e os órgãos públicos.
O lançamento de Carcaças de Feras, último volume da trilogia Espíritos Vadios, encerra uma saga marcada por suspense, investigação, corrupção, trapaças e muito deboche.
A trajetória começa com Antros de Raposas, que apresenta um universo onde a disputa pelo poder rompe os limites da lei e da moral. Em seguida, Fogo na Fornalha chega para ampliar os mistérios, revelar novas alianças e aprofundar os jogos de manipulação que envolvem personagens cada vez mais complexos. Agora, Carcaças de Feras reúne as consequências dos atos praticados ao longo da série. A guerra é total. Segredos vêm à tona, antigas alianças desmoronam e a luta pelo poder alcança o ápice. Em um ambiente dominado pela violência, pela ambição e pela corrupção, ninguém está protegido e ninguém permanece inocente; todos correm perigo e são também perigosos. A descoberta dos que são mais letais é o principal atrativo de Carcaças de Feras.
Sobre o deboche, o autor declara que “é a forma mais convincente de abordar situações que causam indignação, escancarando a imoralidade por trás delas. O grande desafio é manter a consciência crítica diante de fatos injustos e condenáveis, ainda que provoquem risos, pela forma com que são relatados. Atos execráveis de políticos estão sendo perigosamente vistos como algo irremediável. O coronelismo acabou, mas sobrevive, de algum modo, nas milícias, por exemplo, considerada a máfia atual no Brasil. Os coronéis da trama, contemporâneos, saídos do meio militar, mantêm as características e os métodos dos antigos, métodos conservados também pelos herdeiros, que aprenderam com eles. Esses métodos são ‘aperfeiçoados’ com os recursos tecnológicos da atualidade, a exemplo da presença de hackers na história”.
O núcleo central de Espíritos Vadios é a guerra pelo legado dos coronéis, travada entre Dom Luciano e seus comparsas contra a explosiva Valquíria, a perigosa Marcília, o magnata fanfarrão Amâncio, e o irresistível amante profissional Régis. De um lado e de outro, além de hackers, encontram-se mentalistas, pais de santo, profissionais do sexo, e toda sorte de vadios e trapaceiros. Todos eles, indiretamente, se aliam para enfrentar a força-tarefa criada para pegá-los. “Inimigos mortais se tornam irmãos de sangue para enfrentar a polícia”, afirma um detetive. “Muitos desses vagabundos malandros nem são suspeitos; eles devem achar que até cometer crimes dá trabalho”.
A trilogia percorre diversos ambientes do Nordeste brasileiro, explorando as relações entre o crime organizado e a instituições públicas. A saga se estende de Sergipe a Pernambuco, do Rio Grande do Norte ao Ceará, sendo a Paraíba, no entanto, o cenário principal.
Em relação à grande força das personagens Valquíria (ex-mulher do coronel Alexandre) e Marcília (viúva do coronel Toni), segundo o autor, “é importante lembrar que o empoderamento feminino é recente, se considerado historicamente. Mulheres de coronéis, na literatura, e na realidade, tinham influência só por causa dos maridos ou amantes. Valquíria e Marcília mostram que têm poder, independentemente dos coronéis com quem eram casadas. São tão perigosas quanto eles, ou até mais”.
A personagem Valquíria, ex-mulher do coronel Alexandre, diz, em uma cena: “Não sou nem nunca fui mulher de ninguém”. Em outro momento, em que para ela botam uma música, “Paraíba”, de Luiz Gonzaga (“mulher macho, sim, senhor”), Valquíria ressalta: “Isso, para mim, não é um elogio. Tenho mais coragem do que muitos machos!”.
Sobre os profissionais do sexo na trilogia, o autor informa: “Um leitor me disse que a presença desses profissionais na história bem ilustra a prostituição que se vê na política. Só que, em vez de ‘prostituição’ ele usou outro termo, mais pesado”.
Com uma narrativa intensa e repleta de reviravoltas, Carcaças de Feras promete entregar um desfecho impactante para leitores que acompanham a saga desde o primeiro volume, reafirmando a proposta da trilogia: mostrar que, em um mundo onde todos escondem seus próprios monstros e fantasmas, a maior ameaça pode estar justamente em quem parece mais humano.
A exagerada exploração do grotesco, a emaranhada teia de eventos, e o criticado excesso de personagens, de fato, podem confundir o leitor. Mas, mesmo em cenas aparentemente desconectadas do enredo principal, o riso é garantido. Espíritos Vadios conquista os leitores logo nas primeiras páginas e o final é surpreendente.
O autor, advogado, membro da Academia Regional de Letras, em São Paulo, foi Coordenador Geral do Setor de Folclore, presidente de comissões de licitação e de concursos e, entre outras funções, exerceu as do cargo de Procurador Jurídico, na Prefeitura Municipal de Olímpia, SP. Graduou-se em Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, também foi editor do Anuário de Folclore de Olímpia, SP, em que publicou diversos artigos sobre o tema.
Saiba mais em @andrenakamura.escritor
Disponíveis:
- No Clube de Autores:
- Livro 1: Antros de Raposas:
- https://clubedeautores.com.br/livro/espiritos-vadios-3
- Livro 2: Fogo na Fornalha:
- https://clubedeautores.com.br/livro/espiritos-vadios-4
- Livro 3: Carcaças de Feras:
- https://clubedeautores.com.br/livro/espiritos-vadios-3
- Na Amazon: https://www.amazon.com.br/dp/B0GX36BVM2
