O diretor norte-americano Carl Erik Rinsch, conhecido por comandar o filme “47 Ronins”, protagonizado por Keanu Reeves, foi condenado a 30 meses de prisão após ser considerado culpado por desviar cerca de US$ 11 milhões destinados à produção de uma série de ficção científica da Netflix. O valor corresponde a aproximadamente R$ 57 milhões.
O montante fazia parte do orçamento da série “Conquest” (“Conquista”), projeto iniciado em 2019 e que acabou sendo cancelado antes de sua conclusão. A produção contaria com a participação do ator Keanu Reeves no papel principal e teria a atriz brasileira Bruna Marquezine no elenco, interpretando um personagem secundário.
As gravações chegaram a ser realizadas em diferentes países, incluindo Brasil, Uruguai e Hungria. Em território brasileiro, parte das filmagens ocorreu na cidade de São Paulo. Durante esse período, Keanu Reeves esteve na capital paulista e realizou uma visita oficial ao então governador do Estado, João Dória.
A trama de “Conquest” apresentava um cenário de ficção científica distópica. Na história, o personagem interpretado por Keanu Reeves seria um cientista responsável pelo desenvolvimento de uma Inteligência Artificial praticamente indistinguível de um ser humano, criada com o objetivo de solucionar conflitos em diferentes partes do mundo.
De acordo com a decisão da Justiça norte-americana, Carl Erik Rinsch utilizou parte significativa dos recursos recebidos da plataforma de streaming para realizar investimentos de alto risco no mercado de criptomoedas. Além disso, o diretor teria empregado o dinheiro na aquisição de artigos de luxo, entre eles automóveis e relógios de elevado valor.
As investigações também apontaram que, mesmo após o desaparecimento dos recursos iniciais, o cineasta solicitou novos repasses financeiros à Netflix. Segundo as autoridades, parte desses valores teria sido utilizada posteriormente para custear o processo judicial movido pelo próprio diretor contra a empresa.
O caso provocou o encerramento definitivo do projeto, que nunca chegou a ser lançado. A produção era considerada uma das apostas da plataforma para o segmento de ficção científica e reunia um elenco internacional, além de filmagens realizadas em diferentes países.
A condenação de Carl Erik Rinsch encerra um dos casos mais expressivos envolvendo o uso indevido de recursos destinados à produção audiovisual. O episódio também evidencia os desafios enfrentados pelos grandes estúdios e plataformas de streaming no controlo financeiro de projetos com elevados investimentos e produção internacional.
