Conhecido no meio artístico como Caio Casan, o arte-educador transforma dez anos de experiência docente em um guia prático voltado à inclusão de estudantes autistas. O pré-lançamento de “Arte Espectro Autista” acontece no dia 11 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Ser professor em um período marcado pela desvalorização da profissão, sobrecarga de trabalho e falta de amparo institucional já é, por si só, um desafio. Quando a inclusão escolar entra nessa equação sem a estrutura necessária, a situação se torna ainda mais complexa.
É a partir dessa realidade que o educador baiano Carlos Caio, conhecido no meio artístico como Caio Casan, apresenta o livro “Arte Espectro Autista – Guia Prático de Estratégias e Atividades para Professores com Alunos Autistas”.
Com dez anos de atuação como arte-educador, Caio chama atenção para uma situação cada vez mais presente no cotidiano escolar: professores responsáveis por turmas numerosas, com vários estudantes que apresentam diferentes necessidades de aprendizagem e suporte, mas que nem sempre contam com profissionais de apoio, recursos, formação adequada ou condições de trabalho compatíveis com essa realidade.
O resultado, segundo o educador, muitas vezes é o medo de não conseguir dar conta.
“Existe um professor que quer incluir, que quer fazer um bom trabalho, mas que também está sobrecarregado e com medo de não conseguir atender às necessidades de todos. Não podemos colocar toda a responsabilidade da inclusão sobre esse profissional sem oferecer suporte, formação e condições para que ela realmente aconteça”, defende.
Foi uma dificuldade que o próprio Caio encontrou em sua trajetória. Mesmo buscando qualificações relacionadas à educação inclusiva, neurodiversidade, acessibilidade pedagógica e estratégias de mediação, percebeu uma distância significativa entre o conteúdo das formações e aquilo que precisava fazer diante de situações concretas em sala de aula.
Dessa inquietação nasceu uma abordagem que o autor chama de “mão na massa”: observar, experimentar, adaptar, avaliar o que funciona e transformar essas experiências em estratégias possíveis para o cotidiano docente.
Parte desse percurso tornou-se pesquisa acadêmica e, posteriormente, deu origem ao livro. A publicação aborda desde a adaptação de atividades convencionais até organização do ambiente, recursos visuais, experiências artísticas, estratégias de mediação, espaços de regulação e diferentes possibilidades de participação do estudante.
A intenção não é entregar uma fórmula pronta para ensinar estudantes autistas, mas oferecer caminhos para que o professor se sinta menos sozinho e mais preparado para tomar decisões dentro da realidade da própria turma.

Pré-lançamento em São Paulo
“Arte Espectro Autista” terá seu pré-lançamento no dia 11 de setembro de 2026, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi.
A programação começa das 9h às 11h, com sessão de autógrafos no Palco dos Autores. Das 19h às 20h, acontece uma roda de conversa e, às 21h, Carlos Caio participa da palestra “Processos Criativos”, no estande Autores Independentes do Brasil.
Em meio a tantos debates sobre inclusão, o livro parte de uma pergunta essencial: quem está oferecendo suporte ao professor responsável por fazer essa inclusão acontecer todos os dias?
Confira mais informações sobre o projeto e acompanhe o professor Carlos Caio nas redes sociais:
